Matéria publicada no jornal O Estado de S. Paulo em 24/10/2026
O mercado de imóveis usados no Estado de São Paulo teve resultados contrastantes em setembro de 2026. As vendas cresceram 3,22% em relação a agosto, enquanto as novas locações recuaram 8,68%, segundo pesquisa do CRECISP.
Nas vendas, os apartamentos responderam por 57% das negociações e as casas, por 43%. Quase metade das transações ocorreu nas regiões mais periféricas dos municípios analisados (49,4%), fora das áreas centrais e nobres. A faixa de preço mais representativa foi a de R$ 201 mil a R$ 300 mil, com 32,7% das vendas, seguida por imóveis acima de R$ 501 mil, que somaram 26,9%.
O crédito continuou essencial para a compra: 44,6% das operações foram financiadas pela Caixa Econômica Federal e 17,7% por outros bancos. Entre os imóveis negociados, prevaleceram apartamentos de dois dormitórios, enquanto, nas casas, esse perfil também liderou, à frente das residências de três dormitórios.
Na locação, as casas corresponderam a 70% dos imóveis alugados. A maior parcela dos contratos ficou na faixa mensal de R$ 1.001 a R$ 1.500 (31,7%), e o seguro-fiança foi a garantia mais utilizada, presente em 39,6% das operações. Assim como nas vendas, as demais regiões concentraram a maior participação, com 53,6% dos contratos.
A inversão em relação a agosto — quando as vendas haviam recuado 1,27% e as locações crescido 13,19% — evidencia a natureza dinâmica do mercado. Os números mensais refletem mudanças no ritmo das negociações, mas não devem ser interpretados isoladamente: decisões de compra e aluguel dependem de fatores como crédito, renda, oferta e necessidade de moradia.
Para o presidente do CRECISP, José Augusto Viana Neto, os resultados mostram que compradores e locatários continuam ajustando suas escolhas às condições financeiras e à oferta disponível. “O crescimento das vendas indica que há demanda e disposição para negociar, mas o peso do financiamento mostra como o acesso ao crédito é decisivo. Já a queda nas locações reforça a importância de acompanhar a renda das famílias e a adequação dos valores pedidos ao mercado”, avalia.