O psicanalista e mentor Marden Galante ministrou, no dia 22 de julho, uma palestra online na Quarta Nobre do CRECISP sobre o tema "A Síndrome de Burnout sob a Perspectiva Psicanalítica". Durante o encontro, o especialista abordou as causas, os impactos e os desafios relacionados ao esgotamento profissional, destacando a influência dos conflitos internos, das exigências do ambiente de trabalho e da cultura da alta performance.
Segundo Galante, o burnout deixou de ser um tema restrito à psicologia e passou a ser uma questão de saúde pública. "Hoje, o burnout é um fenômeno ocupacional reconhecido internacionalmente. É um problema de saúde pública e um risco psicossocial que exige atenção das organizações e dos profissionais", afirmou.
O palestrante explicou que a síndrome ganhou maior visibilidade após a pandemia, quando o aumento dos casos de ansiedade, depressão e estresse evidenciou a necessidade de discutir a saúde mental no ambiente corporativo. Ele também ressaltou a importância da atualização da NR-1, que passou a incluir os riscos psicossociais entre os fatores que devem ser gerenciados pelas empresas.
Durante a apresentação, o especialista destacou que o burnout precisa estar relacionado ao trabalho para ser caracterizado como doença ocupacional. "Para que se fale em burnout, é necessário haver o nexo causal com o trabalho. Embora os sintomas possam se confundir com ansiedade e depressão, é possível identificá-los e mensurá-los", explicou.
O psicanalista apresentou ainda a origem do termo burnout, definido como "queimar até apagar", e relembrou os estudos do psiquiatra Herbert Freudenberger, responsável pela primeira descrição da síndrome em 1974. Também abordou a contribuição das psicólogas Christina Maslach e Susan Jackson, criadoras do Maslach Burnout Inventory (MBI), instrumento que possibilitou medir e compreender o fenômeno de forma científica.
Galante reforçou que a prevenção depende tanto das organizações quanto dos trabalhadores. "Todos somos protagonistas da nossa saúde. A empresa é coparticipante nesse processo, mas o cuidado com a saúde mental também é uma responsabilidade individual", concluiu.