Quando a CAIXA apaga os corretores, enfraquece a segurança do mercado

Matéria publicada no jornal O Estado de S. Paulo em 16/05/2026

A recente divulgação da Caixa sobre a oferta de aproximadamente 30 mil imóveis usados em leilões e outras modalidades de venda ao longo de 2026 trouxe à tona uma reflexão importante sobre o papel dos corretores de imóveis no mercado imobiliário brasileiro. Embora a comunicação institucional tenha dado amplo destaque aos leiloeiros, às plataformas digitais e aos mecanismos operacionais de venda, a participação dos corretores de imóveis e das imobiliárias regularmente inscritas no CRECISP foi mencionada apenas de forma secundária.

Esse ponto merece atenção porque a intermediação imobiliária não é mera atividade acessória. Trata-se de uma profissão regulamentada pela Lei nº 6.530/78, exercida por profissionais habilitados, fiscalizados e submetidos a normas éticas e técnicas rigorosas. O corretor de imóveis desempenha papel essencial na orientação das partes, na análise documental, na avaliação de riscos e na condução segura das negociações imobiliárias.

Em operações envolvendo imóveis retomados, leiloados ou vendidos diretamente, a atuação especializada torna-se ainda mais relevante. Questões como análise de matrícula, verificação de débitos, situação de ocupação do imóvel, viabilidade de financiamento, utilização de FGTS e interpretação de editais exigem conhecimento técnico e acompanhamento profissional qualificado. Nesse contexto, o corretor não representa apenas um intermediador comercial, mas um agente de proteção ao consumidor e de segurança jurídica para as transações.

O CRECISP, assim como todo o Sistema COFECI-CRECI, atua justamente para assegurar que a atividade imobiliária seja exercida com responsabilidade, ética e transparência. A fiscalização profissional existe para proteger a sociedade, prevenindo irregularidades e fortalecendo a confiança no mercado imobiliário.

É importante destacar que não se questiona a legitimidade da atuação dos leiloeiros nas modalidades em que a legislação lhes atribui competência. O que se defende é o reconhecimento proporcional da importância dos corretores de imóveis dentro da estrutura do mercado imobiliário nacional. Invisibilizar a atuação desses profissionais em comunicações institucionais fragiliza a percepção pública sobre a relevância da intermediação regulamentada e do acompanhamento técnico especializado.

A Caixa ocupa posição estratégica no desenvolvimento habitacional do país e, justamente por isso, possui grande responsabilidade institucional perante o setor. Espera-se que suas ações e comunicações valorizem todos os agentes legalmente envolvidos nas transações imobiliárias, especialmente os corretores de imóveis e as imobiliárias regularmente inscritas, que há décadas contribuem para a segurança, a credibilidade e o fortalecimento do mercado.

Valorizar o corretor de imóveis não significa atender apenas aos interesses de uma categoria profissional. Significa respeitar a legislação, fortalecer a segurança das negociações e reconhecer a importância de uma atividade que oferece técnica, responsabilidade e confiança às relações imobiliárias no Brasil.

José Augusto Viana Neto
Presidente do CRECISP