Matéria publicada no jornal O Estado de S. Paulo em 31/01/2026
O mercado imobiliário movimenta cifras elevadas e envolve, muitas vezes, o patrimônio de uma vida inteira. Esse cenário, infelizmente, também atrai práticas ilícitas que se aproveitam da falta de informação e da pressa do consumidor. Os golpes imobiliários tornaram-se mais sofisticados nos últimos anos, impulsionados pelo uso intenso das plataformas digitais, e exigem atenção redobrada de quem pretende comprar, vender ou alugar um imóvel.
Entre os golpes mais recorrentes está a falsa intermediação imobiliária. Pessoas sem registro profissional anunciam imóveis inexistentes ou que não possuem autorização para negociar, solicitam sinal ou taxa antecipada e desaparecem após o pagamento. Outro expediente comum é a venda ou locação de um mesmo imóvel para mais de uma pessoa, prática que só é possível quando não há verificação documental adequada nem acompanhamento profissional.
Também merecem destaque as fraudes documentais. Escrituras falsificadas, matrículas desatualizadas e procurações irregulares são utilizadas para dar aparência de legalidade a negócios que, na prática, são nulos. Em muitos casos, o consumidor só descobre o problema quando já realizou pagamentos expressivos ou tenta registrar o imóvel em cartório. Há ainda golpes envolvendo anúncios clonados, nos quais criminosos copiam fotos e descrições de imóveis reais para enganar interessados, principalmente em contratos de locação.
A melhor forma de prevenção é a informação aliada à atuação profissional qualificada. Negociações imobiliárias devem ser conduzidas por corretores de imóveis regularmente inscritos no CRECISP, que têm responsabilidade legal, compromisso ético e são fiscalizados. A presença desse profissional garante a conferência da documentação, a correta formalização dos contratos e a orientação adequada em cada etapa do negócio.
O CRECISP atua de forma permanente no combate a essas práticas, por meio da fiscalização do exercício profissional, da apuração de denúncias e de ações educativas voltadas à sociedade. Ao coibir a atuação irregular e orientar o cidadão, o Conselho contribui para um mercado mais seguro, transparente e confiável.
Diante de qualquer proposta que pareça vantajosa demais ou exija pagamentos antecipados sem garantias formais, o alerta deve ser imediato. No mercado imobiliário, cautela não é excesso, é proteção. Buscar informação, desconfiar de atalhos e contar com profissionais habilitados são atitudes essenciais para transformar o sonho do imóvel próprio em uma conquista segura, e não em um prejuízo irreversível.